A ementa

Quanto custa imprimir ementas, e quando compensa não imprimir

O custo direto é preço por exemplar vezes exemplares vezes reimpressões por ano. O que quase ninguém soma é maior: as horas de revisão, os meses com preços desatualizados na mesa, o autocolante por cima do preço antigo, e os pratos de época que não entram porque não compensa reimprimir.

Perguntar quanto custa imprimir a ementa parece uma questão de gráfica. É sobretudo uma questão de margem, porque o custo maior não está na impressão.

A conta direta

Custo anual = preço por exemplar × exemplares × reimpressões por ano

Some as cartas de sala, as de esplanada, as de sobremesas e as de vinhos, que costumam ficar de fora da conta. Junte o que estraga: uma carta de sala tem uma vida curta com molho, dedos e chuva.

A conta que falta

Custo invisívelComo aparece
Tempo de revisãoHoras de alguém a rever, corrigir e falar com a gráfica
Preços desatualizadosMeses a vender ao preço do ano passado com custos deste ano
O autocolantePreço tapado com etiqueta. O cliente vê e tira conclusões sobre a casa
Pratos de época que não entramNão compensa reimprimir, por isso o prato fica no quadro ou não se faz
IndisponíveisO empregado explica prato a prato o que já não há, mesa a mesa

Um restaurante que reimprime uma vez por ano gasta pouco em gráfica. Também passa meses com a carta a mentir sobre preços, e isso sai da margem sem aparecer em fatura nenhuma. O cálculo prato a prato está em ficha técnica.

Papel, ecrã, ou os dois

PapelEcrã
Custo de alterar um preçoReimpressãoNenhum
Mostrar o que esgotouNão consegueConsegue
Cliente que não fala portuguêsDepende da traduçãoA imagem do prato resolve
Experiência à mesaMelhor para a maioriaDivide opiniões
Sala com pouca luzSem problemaDifícil para muita gente
Take-away e montraLimitadoMelhor

A parte honesta sobre os códigos QR

Vale a pena dizer isto com clareza, porque há muita gente a vender digital sem o dizer: uma parte dos clientes não gosta de ler a ementa no telemóvel, e as razões são boas.

  • Numa sala com pouca luz, e acima de certa idade, ler no telefone é desconfortável ou impossível.
  • Há quem não queira usar o telemóvel à mesa, e quem diga que acaba a pedir menos por ter de percorrer um ecrã.
  • Uma ementa digital mal feita, com imagens a ocupar o ecrã todo e navegação confusa, é pior do que uma folha A4. O cliente sai com a sensação de não ter visto metade da carta.

A conclusão a que os operadores costumam chegar é ter as duas coisas. O papel continua na mesa; o digital trata do que o papel não consegue: o que muda, o que esgota, o take-away e o cliente que não lê português.

Como decidir

  1. Calcule o custo anual real, com todas as cartas e reimpressões.
  2. Conte quantos meses do último ano teve preços desatualizados na mesa.
  3. Veja que percentagem dos clientes é estrangeira. Se for alta, a imagem do prato vale mais do que a tradução.
  4. Mantenha o papel. Acrescente digital onde ele resolve alguma coisa, não para substituir.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo se deve reimprimir a ementa?
Depende menos do desgaste e mais dos custos de compra. Se os preços de fornecedor mexeram o suficiente para mudar o preço de venda, a carta está desatualizada mesmo que esteja impecável. Muitas casas reimprimem uma vez por ano por causa do custo e passam meses a vender com margem errada.
Vale a pena substituir a ementa em papel por um código QR?
Substituir, na maioria dos casos não. A conclusão a que a maioria dos operadores chega é ter as duas coisas: papel na mesa, e uma versão digital para take-away, para quem não fala a língua e para o que muda com frequência. O digital resolve a atualização, o papel resolve a experiência à mesa.
Os clientes não gostam de ementas em código QR?
Uma parte não gosta mesmo, e as razões são concretas: ler no telemóvel numa sala com pouca luz é difícil, sobretudo acima de certa idade, e há quem simplesmente não queira usar o telefone à mesa. Há também quem diga que pede menos quando tem de percorrer um ecrã. Retirar o papel por completo é arriscado.
Quando é que o digital ganha claramente?
Em três situações. Turistas que não conseguem ler a carta e decidem pela imagem do prato. Pratos que esgotam, porque só o digital consegue mostrar o que já não há. E cartas que mudam muito, onde reimprimir é caro e lento.
Quanto devo gastar em impressão?
Não há um valor de referência útil, porque depende do número de exemplares e do acabamento. O que vale a pena calcular é o custo por ano, incluindo reimpressões, e compará-lo com o que perde por ter preços desatualizados durante meses. Costuma ser a segunda parcela a decidir.

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