Abrir e cumprir a lei

Plano HACCP para restaurantes: o que é e o que tem de ter

É um sistema de autocontrolo que identifica onde um alimento se pode tornar perigoso e define como controlar isso. Em Portugal é obrigatório para qualquer empresa do setor alimentar, ao abrigo do Regulamento (CE) n.º 852/2004 e do Decreto-Lei n.º 113/2006, e quem fiscaliza é a ASAE. Não é um dossiê, são registos diários.

Muita casa trata o HACCP como papelada para ter na gaveta caso apareça uma inspeção. É precisamente assim que se apanha uma coima, porque o que se avalia não é o dossiê, é o que se faz na cozinha todos os dias.

O que a lei obriga

O Regulamento (CE) n.º 852/2004, com o Decreto-Lei n.º 113/2006 a assegurar a sua execução em Portugal, obriga todas as empresas do setor alimentar a pôr em prática e a manter procedimentos baseados nos princípios HACCP. Quem fiscaliza é a ASAE.

A formação também é obrigação legal, não recomendação: quem desenvolve e mantém o sistema tem de ter formação adequada nos princípios HACCP.

Os sete princípios, numa cozinha a sério

PrincípioNa prática, no seu restaurante
1. Analisar os perigosPercorrer o caminho do alimento, da receção ao prato, e apontar onde pode correr mal
2. Identificar pontos críticosConfeção, arrefecimento, conservação a frio, descongelação
3. Definir limites críticosNúmeros concretos: temperatura de refrigeração, temperatura ao centro na confeção
4. MonitorizarQuem mede, com que aparelho, com que frequência
5. CorrigirO que se faz quando a arca marca a mais. Escrito antes de acontecer
6. VerificarAlguém confere os registos e calibra os termómetros
7. RegistarAs folhas preenchidas no dia, não na véspera da inspeção

Os erros que dão problema

  • Registos preenchidos em bloco. Um mês de temperaturas escrito de uma assentada nota-se e vale contra si.
  • Plano comprado e nunca adaptado. Se descreve equipamento que não tem, não serve.
  • Termómetros sem calibração. Medir com um aparelho errado é o mesmo que não medir.
  • Formação só do chefe. Quem manipula alimentos precisa de formação em higiene, não apenas quem assina o plano.
  • Mercadoria recebida sem registo. Sem rastreabilidade, um problema com um fornecedor passa a ser um problema seu.

Por onde começar

  1. Desenhe o percurso do alimento na sua cozinha, da porta ao prato.
  2. Marque os pontos onde a temperatura ou o tempo mandam.
  3. Escreva os limites em números e afixe-os onde se trabalha.
  4. Crie folhas de registo simples, de preenchimento rápido.
  5. Trate da formação da equipa e guarde os comprovativos.
  6. Marque uma revisão sempre que mudar a carta ou o equipamento.

Se está a montar a casa agora, isto entra na lista de o que é preciso para abrir, antes do primeiro serviço e não depois.

Perguntas frequentes

O HACCP é obrigatório num restaurante?
Sim. Todos os operadores do setor alimentar têm de implementar, aplicar e manter procedimentos baseados nos princípios HACCP, por força do Regulamento (CE) n.º 852/2004 e do Decreto-Lei n.º 113/2006. Aplica-se a restaurantes, cafés, pastelarias e a qualquer casa que prepare ou sirva alimentos.
Quem pode fazer o plano HACCP?
O plano pode ser feito internamente ou por consultor externo. O que a lei exige é que os responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção do sistema tenham formação adequada em princípios HACCP, conforme o Capítulo XII do Anexo II do Regulamento (CE) n.º 852/2004.
Que registos é que a ASAE costuma pedir?
Registos de temperatura de câmaras e arcas, controlo de receção de mercadoria, plano e registos de higienização, controlo de óleos de fritura, rastreabilidade de fornecedores e comprovativos de formação da equipa. Registos em branco ou preenchidos todos com a mesma letra no mesmo dia são pior do que não os ter.
Um restaurante pequeno pode ter um plano simplificado?
Pode. O Regulamento prevê flexibilidade na aplicação para operadores que, cumpridas as obrigações de base, concluam não ser possível identificar pontos críticos de controlo. Simplificado não quer dizer inexistente: as boas práticas de higiene e os registos continuam a ser exigidos.
De quanto em quanto tempo se revê o plano HACCP?
Sempre que mudar alguma coisa relevante: nova carta, novo equipamento, novo fornecedor ou alteração do circuito da cozinha. Fora isso, uma revisão anual. Um plano que descreve uma cozinha que já não existe não protege ninguém.

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