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Margem de lucro de um restaurante: onde vai o dinheiro
É o que sobra da faturação depois de pagar tudo, e na restauração fica quase sempre num dígito. Calcula-se dividindo o resultado líquido pela faturação sem IVA. As duas despesas que decidem são a comida e o pessoal: se juntas passarem dois terços da faturação, o resto raramente fecha.
Quase toda a gente na restauração sabe quanto faturou no mês. Muito menos gente sabe quanto ganhou. Entre uma coisa e a outra estão três ou quatro despesas que decidem se o ano fecha bem.
A conta, sem rodeios
Margem líquida = (resultado líquido ÷ faturação sem IVA) × 100
O detalhe que muda tudo é o sem IVA. O IVA que cobra ao cliente nunca foi seu, e há quem calcule margens sobre a faturação com IVA incluído. Dá um número mais simpático e completamente falso.
Onde o dinheiro se perde
Num restaurante, duas despesas mandam no resultado e as outras são pequenas ao pé delas.
- Matéria-prima 32%
- Pessoal 34%
- Renda e fixos 20%
- Outros custos 9%
- Sobra 5%
| Despesa | Quanto pesa | O que a descontrola |
|---|---|---|
| Matéria-prima | Cerca de um terço da venda | Fichas técnicas desatualizadas, desperdício, doses a olho |
| Pessoal | Um terço, ou mais | Escalas iguais em dias desiguais, horas extra |
| Renda e fixos | Fixo, não acompanha as vendas | Meses fracos e épocas mortas |
| Comissões de plataformas | Percentagem sobre cada pedido | Entregas com margem menor do que a da sala |
A soma das duas primeiras é o número a vigiar. Se comida mais pessoal passam dois terços da faturação, o que sobra tem de pagar renda, energia, contabilidade e ainda deixar lucro. Raramente chega.
A margem vive ao nível do prato, não do mês
O erro mais comum é olhar só para o total. Dois restaurantes com a mesma faturação podem ter resultados muito diferentes conforme o que venderam.
Repare na diferença entre percentagem e euros, que é onde muita gente se engana:
| Prato | Preço | Custo | Margem em euros | Custo em % |
|---|---|---|---|---|
| Bacalhau | 19 | 7,60 | 11,40 | 40% |
| Massa | 12 | 3,00 | 9,00 | 25% |
A massa tem melhor percentagem. O bacalhau deixa mais dinheiro na caixa. Se pagar a renda com percentagens, não paga. Olhe para as duas colunas ao mesmo tempo e decida por euros por prato vendido.
Três coisas para fazer, da mais barata à mais arriscada
- Corrigir o que está mal calculado. Refaça as fichas técnicas com os preços de compra deste mês. É gratuito e costuma revelar dois ou três pratos que estão a ser vendidos ao custo.
- Mudar a mistura de vendas. Vender mais dos pratos que já deixam margem não exige subir preço nenhum. Depende de onde estão na carta e de como são apresentados ao cliente.
- Subir preços. Funciona, e é a única que o cliente nota. Deixe para o fim, e não a aplique a tudo ao mesmo tempo.
Perguntas frequentes
- Como se calcula a margem de lucro de um restaurante?
- Divida o resultado líquido pela faturação sem IVA e multiplique por cem. Use sempre a faturação sem IVA: o IVA nunca foi dinheiro seu, é do Estado, e metê-lo na conta faz a margem parecer melhor do que é.
- Qual é a margem de lucro normal num restaurante?
- Na restauração a margem líquida costuma ficar num dígito. É um negócio de volume com custos fixos altos, não um negócio de margem alta. Uma casa que feche o ano com margem líquida de um dígito médio está dentro do que é normal no setor.
- Quanto deve custar a comida em percentagem da venda?
- A regra de bolso mais usada é manter o custo da matéria-prima perto de um terço do preço de venda sem IVA. Não é uma lei, muda com o tipo de casa: uma marisqueira vive com food cost mais alto e uma pizzaria com muito mais baixo. O que importa é conhecer o seu e vigiá-lo.
- Porque é que faturei mais e não ganhei mais?
- Quase sempre por mistura de vendas. Faturar mais a vender os pratos de margem baixa pode dar menos lucro do que faturar menos a vender os de margem alta. É por isso que a margem se analisa prato a prato e não só no total do mês.
- Subir os preços é a forma mais rápida de melhorar a margem?
- É a mais rápida e a mais arriscada. Uma subida de preço aplica-se a toda a gente, incluindo aos clientes habituais que reparam. Antes disso há duas coisas mais baratas para fazer: corrigir o custo dos pratos que estão mal calculados e vender mais dos que já deixam margem.