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Influencers no restaurante: vantagens, riscos e o que a lei obriga

Compensa quando quem o segue vive perto de si e a publicação está identificada como publicidade. Não compensa pagar em refeições a quem tem seguidores espalhados pelo país. O que muitos desconhecem: uma refeição oferecida é relação comercial, logo a publicação tem de ser identificada como publicidade, e logo no início.

Quase todos os restaurantes com alguma visibilidade recebem mensagens de pessoas a propor uma parceria. A maioria dessas mensagens não é uma proposta de marketing, é um pedido de jantar. Vale a pena saber separar as duas coisas antes de responder, porque a diferença entre elas é grande.

Quando compensa

  • Quem o segue vive perto. É o critério que decide quase tudo. Ser conhecido a duzentos quilómetros não enche mesas.
  • Tem uma altura para promover. Abertura, carta nova, menu de Natal, esplanada no primeiro sol. Uma publicação sem acontecimento nenhum desaparece.
  • Fica com o conteúdo. Bem negociado, sai de lá com vídeos e fotografias que pode usar durante um ano. Muitas vezes isto vale mais do que a publicação em si.
  • A casa está pronta. Uma sala cheia por causa de um vídeo é uma boa forma de mostrar a muita gente que o serviço não aguenta.

Quando não compensa

  • Pagamento só em refeições, para audiências grandes e dispersas. Está a oferecer comida a quem não volta e a quem fala para quem não pode vir.
  • Números que não batem certo. Muitos seguidores e poucos comentários é o sinal mais antigo de audiência comprada.
  • Quem recusa identificar a publicação como publicidade. Além do problema legal, é sinal de como trabalha.
  • Quem ameaça, mesmo de forma simpática. A avaliação negativa por não ter havido oferta é um clássico do ramo.

Convém saber que isto é um tema sensível dentro da indústria. Há donos de restaurantes que fazem questão pública de recusar estes pedidos e recebem apoio dos clientes por causa disso. Recusar não tem custo de reputação.

A parte legal, em Portugal

Isto apanha muitos restaurantes de surpresa: se houve contrapartida, e uma refeição oferecida é contrapartida, a publicação é comunicação comercial e tem de ser identificada como tal.

  • O marketing de influência está sujeito ao Código da Publicidade e à legislação de defesa do consumidor, como qualquer outra publicidade.
  • Vale o princípio da identificabilidade: quem vê tem de perceber imediatamente que aquilo é publicidade.
  • A identificação aparece no início da publicação. Não no fim do texto, não escondida entre etiquetas, não num link.
  • A Auto Regulação Publicitária e a Direção-Geral do Consumidor publicaram guias sobre boas práticas nesta área.

Peça a identificação por escrito antes da visita. Não é um detalhe burocrático: é a sua marca que aparece na publicação.

O que combinar antes, sempre por escrito

PontoPorque importa
O que é publicado e ondeUm vídeo no perfil não é o mesmo que uma story de 24 horas
DataSem data, publica-se três meses depois ou nunca
Identificação como publicidadeObrigatória, e no início
Direitos de usoSe pode reutilizar as imagens nos seus canais, e durante quanto tempo
Limite do que é oferecidoQuantas pessoas, e se inclui bebidas. É onde a conta costuma disparar
Nada sobre o conteúdo da opiniãoComprar uma opinião favorável é outra coisa, e não é isto

A alternativa que quase ninguém pondera

Pagar a um criador local para produzir conteúdo que fica seu, sem publicação no perfil dele. Custa parecido com uma noite de refeições oferecidas e resolve um problema que persiste: ter imagens decentes dos seus pratos para o Perfil de Empresa no Google, a ementa e as suas próprias redes.

Se preferir fazer você mesmo, dá para chegar longe com um telemóvel e uma janela, e está explicado em mostrar os pratos ao cliente. E antes de gastar seja o que for em influenciadores, vale a pena ver o que costuma resultar melhor e custa menos, em marketing quando os anúncios não funcionam.

Perguntas frequentes

Uma refeição oferecida em troca de uma publicação é publicidade?
Sim. Existindo uma relação comercial, e uma refeição oferecida é contrapartida, a publicação tem de ser identificada como comunicação comercial. O marketing de influência não está fora do Código da Publicidade nem da legislação de defesa do consumidor, e a Auto Regulação Publicitária e a Direção-Geral do Consumidor têm guias sobre isto.
Onde tem de aparecer a identificação de publicidade?
No início da publicação, para que quem vê perceba logo que aquilo é publicidade. Não serve estar no fim do texto, escondida entre etiquetas ou remetida para um link. É precisamente o erro mais apontado quando se fiscaliza o cumprimento destas regras.
Quantos seguidores deve ter um influenciador para valer a pena?
A pergunta certa não é quantos, é onde vivem. Três mil seguidores na sua cidade valem mais do que cem mil espalhados pelo país, porque só os primeiros conseguem jantar consigo na sexta-feira. Peça sempre a distribuição geográfica da audiência antes de combinar seja o que for.
Como distingo um profissional de alguém que quer jantar de graça?
Um profissional apresenta números sem lhos pedir, propõe o que vai publicar e quando, aceita identificar a publicação como publicidade e cumpre prazos. Quem só quer a refeição costuma falar de visibilidade e exposição, evita comprometer-se com datas e reage mal quando se fala em contrato.
Posso reutilizar os vídeos que o influenciador fez no meu restaurante?
Só se isso ficar escrito. Por defeito o conteúdo é de quem o criou, e muitos restaurantes descobrem tarde que não podem usar no seu próprio Instagram um vídeo filmado na sua sala. Combine por escrito, antes da visita, que pode usar as imagens nos seus canais e durante quanto tempo.
O que faço se um influenciador ameaçar deixar má avaliação?
Não ceda e documente. Uma avaliação deixada como represália por não ter recebido oferta viola as políticas de conflito de interesses das plataformas e pode ser denunciada. Ceder resolve uma noite e garante que a situação se repete, porque essa informação circula entre eles.

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