A ementa

Empratamento: as regras que fazem um prato valer mais

Decide o que o cliente sente antes de provar, e sobe o valor percebido sem mudar a receita nem o custo. Quatro regras: deixe espaço vazio em vez de encher, dê altura em vez de espalhar, escolha um ponto de foco só, e ponha o molho por baixo. A quinta é sair sempre igual.

Duas casas podem servir exatamente o mesmo prato, com o mesmo custo de matéria-prima, e cobrar valores muito diferentes por ele. Grande parte da diferença acontece nos dez segundos em que o prato chega à mesa.

Deixe o prato respirar

A tentação é encher. Vem de boa intenção, a de dar valor pela quantidade, e produz o efeito contrário: comida até à borda lê-se como refeição barata.

Deixe a orla livre. Se costuma usar pratos de 26 centímetros, experimente os de 30 com a mesma dose e veja o que os clientes dizem. É a alteração com melhor resultado por esforço em toda esta lista.

Altura em vez de largura

A mesma quantidade de comida espalhada parece sobra; empilhada com algum cuidado parece composição. Encoste a proteína a uma base, apoie a guarnição contra ela, e deixe alguma coisa por cima a marcar o ponto alto.

O limite é o bom senso: se cai a caminho da mesa, ou se o cliente tem de desmontar a construção antes de comer, foi longe demais. Isto é um restaurante, não um concurso.

Um ponto de foco, não três

Um prato deve ter uma coisa que o olho encontra primeiro. Quando tudo compete pela atenção, nada ganha, e o resultado lê-se como confuso em vez de generoso.

Escolha o elemento que quer que seja lembrado, geralmente a proteína ou o que dá nome ao prato, e organize o resto à volta dele.

O molho vai por baixo

É o erro mais comum e o mais fácil de corrigir. Molho por cima esconde aquilo em que a cozinha trabalhou e junta tudo numa mancha.

  • Por baixo: a proteína assenta e continua visível.
  • Ao lado: o cliente doseia, e devolve menos pratos.
  • Por cima: só quando o molho é o prato, como num cozido ou num guisado.

O erro que anula todos os outros acertos

Um prato empratado com cuidado ao almoço e despejado ao jantar não vale nada, porque o cliente que voltou reparou. Consistência vale mais do que virtuosismo.

Fotografe cada prato como deve sair. Imprima. Afixe na linha, à altura dos olhos de quem empata. É o método mais simples que existe e é o único que sobrevive a um turno com gente nova.

Erros que aparecem em quase todas as cozinhas

ErroComo se corrige
Prato cheio até à bordaLouça maior, mesma dose
Tudo espalhado e planoEncostar e sobrepor, dar um ponto alto
Molho a cobrir tudoPor baixo, ou num molheiro
Guarnição decorativa que ninguém comeTirar. Ocupa espaço e custa dinheiro
Bordas do prato sujasLimpar com pano antes de sair, sempre
Louça com padrãoBranco liso, a comida é que decora

Onde isto se transforma em dinheiro

Um prato bem apresentado sustenta um preço mais alto e fotografa-se melhor, o que interessa se a ementa mostra imagens ou se o prato aparece no perfil do Google. Está em mostrar os pratos ao cliente.

E não vive sozinho: a mesma comida numa sala com luz fria parece pior do que numa sala com luz quente. Está em iluminação.

Perguntas frequentes

O que é o empratamento?
É a forma como a comida é disposta no prato antes de sair para a mesa. Não é decoração: define o que o cliente percebe do valor do prato, a ordem por que come, e a primeira impressão que tem antes de provar seja o que for.
Porque é que se deve deixar espaço vazio no prato?
Porque o vazio faz a comida parecer escolhida em vez de despejada. Um prato cheio até à borda lê-se como quantidade barata, e é exatamente o que uma casa que quer cobrar mais não quer transmitir. Deixar a orla livre é a alteração mais rápida e não custa nada.
Dar altura ao prato funciona mesmo?
Funciona, dentro do razoável. Comida empilhada com alguma altura ocupa o olhar de outra maneira do que a mesma quantidade espalhada, e parece mais cuidada. O limite é prático: se desaba a caminho da mesa ou se o cliente não consegue comer sem desmontar, foi longe demais.
Onde se põe o molho?
Por baixo ou ao lado, quase sempre. Molho por cima esconde o que foi cozinhado e transforma tudo numa mancha só. Por baixo, a proteína assenta nele e continua à vista; ao lado, o cliente decide quanto quer, o que também reduz devoluções.
Vale a pena comprar louça nova?
Antes de gastar em louça, arrume as regras acima na que já tem. Dito isso, o prato branco liso e um pouco maior do que o habitual é o que perdoa mais erros e faz a comida destacar-se. Louça com padrão compete com o que lá está em cima.
Como garantir que o prato sai sempre igual?
Fotografe o prato como deve sair e afixe a fotografia na linha da cozinha, ao nível dos olhos de quem empata. É o único método que resiste a turnos diferentes e a gente nova, e custa uma impressão.

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